Existe um orgulho particular que muitas familias carregam sobre resolver as coisas sozinhas. "Estamos bem, nos damos conta, nao precisamos de nada." Esse orgulho e compreensivel. Vem de um desejo genuino de proteger a dignidade, de nao ser um fardo, de manter uma sensacao de controle numa situacao que parece totalmente fora de controle.
Mas o cancer, a partir de um certo ponto, excede o que qualquer familia pode realisticamente administrar sozinha. E as familias que reconhecem isso e buscam ajuda tendem a se sair melhor — nao apenas praticamente, mas emocionalmente — do que aquelas que insistem em fazer tudo sozinhas.
Pedir ajuda como familia requer uma mudanca na forma como voce pensa sobre isso. Nao e sinal de que voce nao e capaz. E sinal de que a situacao e genuinamente dificil e que voce e sabio o suficiente para reconhecer isso. Qualquer pessoa que nao tenha passado por algo assim pode nao entender plenamente a magnitude do que e necessario — as demandas fisicas, emocionais e logisticas de apoiar alguem durante o cancer sao genuinamente extraordinarias.
Comece pelas pessoas que ja estao se oferecendo. A maioria das pessoas, quando alguem que conhecem esta passando pelo cancer, quer ajudar mas nao sabe como. Dizem "me avise se precisar de algo" e depois esperam. De a elas algo especifico: "Voce poderia trazer o jantar nas tercas?" "Poderia levar ele a consulta de quinta?" "Poderia cortar a grama esta semana?" Pedidos especificos facilitam o sim.
Pense em quem na sua rede mais ampla poderia ajudar com coisas que voce nao pensou em pedir — um contador que pode ajudar a navegar a burocracia do plano de saude, um vizinho que pode ficar com as criancas por uma tarde, um membro da sua comunidade religiosa que pode coordenar um esquema de refeicoes. Os recursos na rede da maioria das pessoas sao maiores do que percebem quando realmente olham.
Considere servicos de apoio profissional. Auxiliares de saude domiciliar, cuidados de respiro, assistentes sociais, navegadores de pacientes — todos existem especificamente porque as familias nao deveriam ter que fazer isso sozinhas. Nao sao admissoes de fracasso. Sao usos apropriados de recursos que foram projetados para exatamente essa situacao.