Há uma crueldade particular no câncer de útero. A doença vive no órgão que a cultura e a biologia designaram como o centro da feminilidade. E quando o câncer se instala ali, não ameaça apenas sua sobrevivência — ameaça sua identidade.
A palavra "histerectomia" chega como um veredicto. Medicamente, geralmente é o caminho mais claro para a sobrevivência. Emocionalmente, é um terremoto. Porque uma histerectomia não remove apenas um tumor — remove a possibilidade. A possibilidade de carregar um filho.
Se você já teve seus filhos, as pessoas dirão que não deveria importar. Mas um útero não é uma embalagem descartável. Se ainda não teve filhos, o luto é mais agudo — o câncer não tira apenas sua saúde, tira sua maternidade futura.
A menopausa cirúrgica que frequentemente segue envelhece seu corpo uma década em um mês. E por baixo de tudo, um luto sem túmulo — porque os filhos que você não terá nunca existiram.
Feminilidade nunca foi seu útero. Vive na forma como ama, cuida, na força que carrega. Se este luto é pesado demais, terapeutas especializados em luto reprodutivo podem ajudar.