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Para Famílias8 min de leitura

Quando um Pai ou Mãe Está Morrendo: Vivendo no Espaço Entre a Esperança e o Adeus

Preparar-se para a morte de um pai ou mãe por câncer significa viver com luto anteciapatório. O espaço entre a esperança e o adeus é onde vive o amor mais difícil.

Existe um lugar que ninguém te ensina a habitar. É o espaço entre saber que seu pai ou mãe está morrendo e o momento em que realmente parte. Não é esperança e não é aceitação. É ambos, o tempo todo, alternando a cada respiração. Num momento você está buscando milagres. No seguinte, está memorizando silenciosamente o jeito como seguram a xícara de chá, porque alguma parte de você sabe que vai precisar dessa lembrança.

Isso é luto anteciapatório — o luto que começa antes da perda. E é uma das experiências emocionais mais desorientadoras que uma pessoa pode suportar. Você está de luto por alguém que ainda está vivo, e a culpa disso sozinha pode parecer esmagadora. Como pode chorar por eles quando estão bem aqui, neste quarto, ainda respirando, ainda te olhando com os mesmos olhos?

Você pode se ver alternando entre contradições impossíveis. Quer mais tempo, e quer que o sofrimento deles acabe. Quer falar sobre o que está acontecendo, e está apavorado de dizer em voz alta. Quer ser forte por eles, e quer desmoronar. Quer segurar, e alguma parte de você já está aprendendo a soltar. Todos esses sentimentos podem existir simultaneamente, e nenhum cancela o outro.

As realidades práticas são sua própria forma de agonia. Conversas sobre desejos de fim de vida, cuidados paliativos, ordens de não reanimar, preferências de funeral — essas discussões parecem traições, como se planejar a morte significasse desistir da vida. Mas ter essas conversas, por mais devastadoras que sejam, é na verdade uma das coisas mais amorosas que você pode fazer.

Passe tempo de forma diferente agora. Não freneticamente, não com agenda, mas com presença. Sente com eles. Assistam ao programa favorito juntos. Segure a mão e não diga nada. Peça que contem a história de como conheceram seu outro pai ou mãe, mesmo tendo ouvido cinquenta vezes. Deixe os silêncios serem confortáveis em vez de assustadores. Esses momentos não são sobre criar memórias para o futuro — são sobre estar plenamente vivos juntos no presente.

Diga as coisas que precisa dizer. Eu te amo. Obrigado. Sou tão grato por você ser meu pai, minha mãe. Me conta de quando você era jovem. Do que você mais se orgulha? Tem algo que te preocupa? Essas conversas podem parecer impossíveis de começar, mas quase sempre são impossíveis de se arrepender. E se seu pai ou mãe não pode falar, ou não está consciente, diga as palavras assim mesmo. Há evidências crescentes de que a audição é um dos últimos sentidos a se apagar, e mesmo que não fosse, essas palavras são para você também.

Cuide de si mesmo, mesmo agora. Especialmente agora. Essa temporada vai exigir mais de você do que pensa ter. Coma, mesmo quando a comida não tem graça. Durma, mesmo quando a mente não aquieta. Saia, mesmo que por cinco minutos. Você não está abandonando seu pai ou mãe ao cuidar de si. Está garantindo que pode estar plenamente presente pelo tempo que restar.

Quando o fim chegar, pode não ser como você imaginou. Pode ser pacífico ou pode ser difícil. Pode acontecer enquanto segura a mão ou enquanto saiu para pegar um café. De qualquer forma que aconteça, saiba disto: você esteve lá. Através dos tratamentos, do declínio, das conversas impossíveis e das tardes silenciosas e das lágrimas que chorou no chuveiro para que não vissem. Você esteve lá em tudo. E essa presença — essa presença teimosa, de coração partido, devotada — é o maior presente que um filho pode dar a um pai ou mãe.

Você está vivendo o capítulo mais difícil da sua vida. E está fazendo isso com mais amor e coragem do que jamais dará crédito a si mesmo.

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