Existe um tipo de luto de que ninguém fala o suficiente — o luto que começa antes da morte. É chamado de luto anteciapatório, e se você está vivendo com ele agora, já sabe que é uma das experiências mais solitárias que uma pessoa pode suportar. Você está de luto por alguém que ainda está aqui, ainda respirando, talvez ainda falando com você, e mesmo assim pode sentir a pessoa escapando. E não pode contar a ninguém o quanto está sofrendo porque o mundo diz que você não deveria fazer luto por alguém que ainda está vivo.
Mas você está fazendo luto. Toda vez que nota que perdeu mais peso. Toda vez que não consegue fazer algo que costumava fazer sem esforço. Toda vez que se pega observando enquanto dorme e pensando quantas vezes mais vai poder ver isso. Toda vez que mentalmente ensaia um futuro sem a pessoa e depois sente culpa por ter ido lá. Esse luto é real. Não é prematuro. Não é pessimista. É seu coração respondendo honestamente ao que está acontecendo diante de você.
O luto anteciapatório frequentemente parece como viver em dois mundos ao mesmo tempo. Em um, a pessoa ainda está aqui, e você tenta estar presente, saborear cada momento, criar memórias. No outro, já está imaginando a cadeira vazia, o telefone silencioso, o armário cheio de roupas que ninguém vai usar. Mover-se entre esses dois mundos é desorientador e exaustivo.
A culpa pode ser sufocante. Pode sentir culpa por chorar quando a pessoa ainda está na sala. Culpa por pesquisar arranjos funerários enquanto ainda está viva. Culpa por sentir alívio nos dias em que não parece estar com dor, porque alívio parece próximo demais de aceitação. Culpa por querer que isso acabe, porque querer que acabe significa querer que morra, e esse pensamento é insuportável mesmo vindo de um lugar de amor e compaixão, não de crueldade.
Eis o que quero que você saiba: luto anteciapatório não significa que você desistiu. Não significa que não está lutando ao lado dela. Não significa que a ama menos. Significa que é um ser humano que pode ver o que está por vir, e seu coração está tentando se preparar para algo para o qual nunca estará verdadeiramente preparado. Isso não é fraqueza. É a coragem crua e honesta de alguém que se recusa a desviar o olhar.
Se puder, deixe-se fazer luto abertamente. Converse com um conselheiro, um grupo de apoio ou um amigo de confiança que não vai tentar te convencer a não sentir. Escreva em um diário. Chore quando precisar. E ao mesmo tempo, continue aparecendo para a pessoa que ama. Segure a mão dela. Diga o que significa para você. Esteja presente nos momentos que ainda têm juntos, mesmo quando a presença parece como estar de pé dentro do fogo.
Você não está fazendo isso errado. Não existe jeito certo de fazer luto por alguém que está perdendo em câmera lenta. A única coisa errada seria fingir que não está sofrendo. Se permita sofrer. Se permita amar. Não são opostos — são a mesma coisa, vista de ângulos diferentes.