Os sapatos na porta. A jaqueta no gancho. A xícara na pia com um círculo de café seco. Não consegue lavá-la porque lavar é apagar a última prova de que estiveram lá.
As coisas dos mortos não são objetos. São relíquias. E a pergunta sobre o que fazer é uma das mais carregadas emocionalmente no luto.
Não há calendário. A pressão cultural de "resolver as coisas" reflete o desconforto dos outros com seu luto.
A primeira vez que abre o armário, o cheiro te atinge. Os objetos que te quebram nunca são os esperados. A lista de compras na letra deles. O marcador na página 147 de um romance que nunca terminarão.
Quando estiver pronto — se estiver — uma caixa de memórias pode ajudar. Se organizar parece impossível, um terapeuta de luto pode ajudar.